ENTREVISTA: Como o melhoramento genético pode contribuir para o avanço da pecuária?

Porteira Rural > Notícias e Eventos > Pecuária > Entrevista > ENTREVISTA: Como o melhoramento genético pode contribuir para o avanço da pecuária?

ENTREVISTA: Como o melhoramento genético pode contribuir para o avanço da pecuária?

JOSÉ FERNANDO GARCIA Professor e coordenador do Laboratório de Bioquímica e Biologia Molecular Animal da UNESP.

Pergunta: O senhor poderia nos falar um pouco sobre o que foi abordado em sua palestra em nosso Encontro? Qual a sua opinião sobre a importância do Encontro dos Encontros da Scot Consultoria para a pecuária nacional?
José Fernando: Em minha palestra abordei sobre a importância da genômica, que é um tema muito falado hoje, porém, pouco entendido. Mostrei três exemplos de aplicação da genômica, o primeiro na organização de uma raça, por exemplo. Em uma associação de raça usa-se a genômica para atividades como controle de paternidade, registro genealógico, seleção genômica, identificação de marcadores causais positivos e negativos, análise de endogamia e até certificação de produto. Isso tudo é possível graças aos testes genômicos, que atualmente são muito informativos e muito baratos. O segundo exemplo mencionado foi sobre a importância de colher informação, pois, a partir disto, é possível criar o que chamamos de “big data”. Esses dados associados à genômica, podem ir mais a fundo nos genes, marcas, mutações, o que agrega na seleção, visando um animal ideal. A terceira aplicação é a edição gênica, que seria a cereja do bolo. Uma vez que as mutações são conhecidas, conseguimos obter um melhoramento associado à metodologia de edição gênica, resultando na tecnologia que chamamos de melhoramento de precisão. Um evento como o Encontro dos Encontros da Scot Consultoria, que traz pessoas que decidem, que estão com a mão na produção, que são grandes, influentes, cientistas, técnicos e põe todos em uma sala para debater é interessantíssimo, na minha opinião é de grande valia. Presenciei palestras que consolidaram informações boas e que olham para o futuro. Particularmente, uma reunião das raças, mostrando que todas elas estão entrelaçadas, inclusive na
genômica.

Pergunta: O pecuarista hoje já reconhece a genômica como um caminho sem volta?
José Fernando: Hoje temos dois tipos de pecuaristas: aquele que faz genética e aquele que usa a genética. O que faz a genética, ele a utiliza, porém, está tentando entender seu funcionamento, e ainda estamos nessa fase. O que usa de fato a genética, ele a utiliza através do sêmen, da novilha de reposição, ou mesmo selecionando seu rebanho. Assim, ela é forte no primeiro grupo e está começando a aparecer no segundo grupo.

Pergunta: De que forma o melhoramento genético pode contribuir para o avanço da pecuária?
José Fernando: Se fazemos uma pecuária commoditie hoje, que não possui classificação de carcaça, com remuneração de qualidade ou não, de qualquer forma o produtor ganhará dinheiro. A pecuária de corte, na minha visão, dentre todas as atividades do agronegócio, está como uma das últimas, não em termos de adoção de tecnologia, mas de profissionalismo, contabilidade e gestão do negócio porque é uma atividade lucrativa quando feita em grandes extensões. A partir do momento em que o pecuarista se tecnifica, ele valoriza seu produto. No evento falamos sobre o aumento da valorização da carne como produto nobre, etc.. Você passa a ter o melhoramento genético como a única forma de melhorar a situação. A pecuária de corte brasileira, melhorou no quesito nutricional, sanitário e reprodutivo. Hoje o produtor faz FIV (fertilização in vitro) em grande quantidade e IATF (inseminação artificial em tempo fixo) aos milhões, reforma o pasto (o que até vinte anos atrás não era feito), suplementa as vacas, utiliza o creep-feeding, vacinas, etc. Se está tudo ótimo e a produção continua ruim, como podemos melhorar a produtividade? É nesse momento que entra o melhoramento genético, ou fazendo, ou usando o que é feito. 

Pergunta: O senhor poderia nos falar como é realizada a implantação da genômica na fazenda?
José Fernando: Hoje a genômica é baseada em um teste laboratorial feito a partir da coleta do pelo do animal. Esse teste determinará 50.000 marcadores e servirá para determinar paternidade e organizar registros genealógicos. Com isto, será importante para associações de raças, melhora das DEPs (Diferença Esperada na Progênie), que são cálculos matemáticos que permitem o uso do melhoramento, fazendo com que tenha mais precisão. Permite também a investigação de novos marcadores, de novos genes que precisamos para o departamento de pesquisa e desenvolvimento. Assim, usamos e analisamos o que já existe para calcular a endogamia de uma população. Existe uma gama de aplicações e isso tudo é feito com um único teste, realizado uma vez na vida do animal. Ele é guardado e utilizado para múltiplas aplicações com uma simples amostra de pelo, que vai de melhoramento genético à certificação do produto ou de animais.

Fonte: Scot Consultoria www.scotconsultoria.com.br

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Chat with us on WhatsApp